Um mundo em todo lugar e em tempo nenhum
Vashrath é um mundo distópico e, acima de tudo, atemporal. Não pertence a era alguma: não se passa "antes" nem "depois" de nada. Existe em todos os momentos e em todos os lugares ao mesmo tempo. Por isso ninguém sabe dizer quando nada aconteceu em sua história — só que aconteceu, acontece e ainda há de acontecer.
É essa natureza que torna Vashrath inesgotável. Porque é atemporal, o universo que ele engoliu é infinito. Lá se pode erguer uma família, cultivar a terra, fundar uma dinastia — tudo o que existe no nosso mundo existe também em Vashrath. Ele é, em essência, um espelho do nosso mundo: o mesmo, mas isolado — e para onde tudo de ruim, ainda hoje, é mandado.
O que o tempo não desgasta
O isolamento de Vashrath faz com que coisas inteiras cheguem tais como eram — e assim permaneçam. Reinos banidos há séculos ainda mantêm seus postos; guardas obedecem ordens dadas por soberanos há muito esquecidos; construtos executam funções para as quais foram feitos numa era que já não existe. Do lado de dentro, o tempo não corrói do modo que deveria.
Dizem que há bosques arrancados de outros mundos e lançados aqui inteiros, com suas árvores centenárias e seus guardiões; que há labirintos que atravessaram o portal com seus servos, seus prisioneiros e seus segredos. O que entra em Vashrath raramente sai — e, quando volta, volta diferente.
As névoas do Limbo
Entre as terras conhecidas há trechos que os viajantes evitam: passagens onde a névoa se adensa e o mundo parece hesitar. Chamam-nas de Limbo — o entre-lugar de um mundo que já é, ele próprio, um entremeio. Contam-se histórias de caravanas engolidas por uma neblina que não deveria estar ali, de grupos inteiros que somem sem deixar rastro.
Alguns afirmam que quem entra no Limbo raramente retorna igual. Há relatos de sobreviventes que voltaram anos depois sem terem envelhecido um único dia, incapazes de dizer o que viram do lado de dentro. Se o Limbo é um lugar, uma fenda, ou apenas a própria atemporalidade de Vashrath transbordando, ninguém sabe ao certo. Poucos que o cruzaram têm coragem — ou memória — de falar sobre ele.
O propósito que nunca mudou
No fundo, o propósito de Vashrath permanece o mesmo desde o primeiro banimento: selar todo o mal do mundo. Sombrio, infinito e esquecido, ele continua recebendo tudo o que os reinos de cima se recusam a olhar. E, atemporal como é, guardará esse fardo para sempre — em todos os momentos, em todos os lugares, ao mesmo tempo.
As cidades e regiões que os banidos ergueram nestas terras estão em Sangezer e o Trono de Cripta e em As Regiões Conhecidas.
