Kharvoss fica no centro de Vashrath, no coração das florestas da baixada. É uma região imensa e populosa, fechada pela mata e marcada por uma militarização que nenhuma outra cidade conhecida consegue igualar.
A cidade herdou o nome de um antigo tirano que a dominou por anos. Mesmo depois de sua queda, o nome permaneceu — como se a própria terra tivesse aceitado que poder, medo e permanência são coisas difíceis de separar em Vashrath.
Ao redor de Kharvoss, a floresta é densa, viva e hostil. Suas árvores bloqueiam a visão, abafam sons, escondem trilhas e fazem até viajantes experientes perderem a noção de distância. A mata é rica em madeira, minerais, ervas e criaturas raras — e igualmente rica em coisas que querem matar qualquer um que entre.
Por isso Kharvoss se tornou uma cidade-fortaleza. Suas muralhas, quartéis, postos avançados e forjas existem por necessidade. Ali, quase tudo tem função militar: ruas, torres, oficinas, patrulhas e até mercados.
História
Os primeiros pioneiros sofreram para atravessar a mata da baixada — fechada, úmida, cheia de predadores e rica em materiais que valiam o risco. Pequenos postos surgiram para colher sua riqueza; depois vieram os acampamentos armados, depois as muralhas, depois os quartéis.
Em algum ponto dessa história, um tirano tomou a região e prendeu seu nome à cidade. Ninguém sabe se a Casa Kova descende desse poder antigo, se o derrubou ou se apenas ocupou o vazio que ele deixou. O que se sabe é que os Kova se consolidaram pela força: seus rivais foram derrotados, absorvidos, expulsos ou esquecidos, e depois de anos suficientes sem oposição o povo simplesmente aceitou que os Kova sempre estiveram ali.
A cidade cresceu ao redor da guerra. Anões foram atraídos pela demanda por armas, armaduras e obras defensivas; ferreiros se estabeleceram e oficinas se multiplicaram. A floresta continuou tentando engolir a cidade, e a cidade respondeu produzindo mais aço.
Governo
Kharvoss é governada pela Casa Kova, mas sua força prática está nas mãos de Jovel: orc, comandante e autoridade militar absoluta da cidade. Ele lidera um exército de orcs, humanos, elfos e outros povos — que servem não por afeto, mas por força, necessidade, salário, medo ou sobrevivência. Um rei orc comandando soldados de tantas origens parece, para muitos, uma anomalia. Em Vashrath, o poder raramente precisa se explicar.
O governo não tenta parecer gentil: a lei é militar, a produção é militarizada e a ordem é mantida pela ameaça constante de punição. A cidade resiste porque consegue matar o que se aproxima dela.
Dizem que Jovel jamais procurou Serena, apesar dos rumores de que ela ainda vive por perto. Alguns acreditam que ele não crê na lenda; outros acham que ele crê demais. Se a força dela é tão grande quanto contam, enfrentá-la é um risco que nem o orgulho dele consegue aceitar.
O berço das Três Forças
A lenda diz que, há mais de mil anos, Serena, Heidr e Marcus Villas se reuniram nessa região para discutir a divisão de terras entre seus povos. Heidr e Marcus Villas chegaram perto de um acordo: dividir as terras entre norte e sul, selar uma trégua e deixar Serena e seus seguidores em submissão.
A negociação escalou. Palavras viraram ameaças; ameaças viraram duelo. Conta-se que Heidr e Marcus Villas atacaram Serena juntos, acreditando que sua morte encerraria os rebeldes que a seguiam. Mas Serena derrotou os dois — e poupou suas vidas, sabendo que, como mártires, eles poderiam incendiar Vashrath em guerra aberta.
Ninguém sabe se a história é verdadeira, nem se Serena poderia viver tanto tempo. Há quem diga que ela não é humana; há quem diga que é algo além de qualquer explicação comum. O que resta é isto: as Três Forças convivem hoje sem guerra aberta, e a disputa segue viva na política, nos símbolos, nas alianças e nos territórios. Os Andarilhos mantêm sua base principal em algum lugar dos ermos ao redor de Kharvoss — ou assim dizem os rumores — e muitos afirmam que Serena ainda vive lá.
Locais marcantes
- As Florestas da Baixada — a mata densa ao redor de Kharvoss, rica em materiais e em ameaças.
- As Forjas Anãs — oficinas onde armas, ferramentas e obras de guerra são produzidas.
- Os Quartéis de Jovel — centros de recrutamento e treinamento do exército da cidade.
- Os Pântanos Centrais — terrenos alagados e letais; o crocodilo gigantesco Gustav é a mais temida de suas lendas.
- O Castelo dos Sanguessugas — castelo isolado no fundo da mata, associado a bebedores de sangue.
- O Trono do Tirano — domínio ligado a disputas de soberania e à figura da Baronesa.
- Os acampamentos de orcs renegados — terrenos ocupados por orcs expulsos das fileiras de Jovel, ou que delas fugiram.
- A Mata dos Enforcados — floresta marcada por bruxaria antiga, morte e almas que nunca partiram.
Figuras notáveis
- Casa Kova — a família reinante, com poder consolidado pela força.
- Jovel — rei orc e comandante dos exércitos de Kharvoss.
- Serena — líder lendária dos Andarilhos, que talvez ainda viva na região.
- Heidr — líder lendário dos Guerreiros do Norte; teria lutado no antigo duelo.
- Marcus Villas — líder lendário do Povo do Sul; teria buscado a divisão das terras.
- A Condessa — dizem que veio de Kharvoss na infância, embora nada seja confirmado; hoje é mais conhecida em Cripta.
- A Baronesa — soberana hostil de sangue nos olhos, ligada ao Trono do Tirano.
- A Bruxa dos Enforcados — presença antiga da mata amaldiçoada; hoje restam apenas as almas que ela deixou para trás.
Kharvoss é forte, mas não é segura. A cidade resiste à floresta; não a domina.
